sexta-feira, 29 de março de 2019

Recursos de Artes


O portal RTP Ensina não tem fórmulas matemáticas para garantir o sucesso escolar, mas faculta ferramentas que apoiam e complementam o estudo dos alunos e o trabalho dos professores. Aqui estão reunidos artigos que ajudam na compreensão das várias disciplinas relacionadas com Artes Plásticas e História da Cultura e das Artes.

Dispondo de um acervo único que resulta de oitenta anos de produção de programas de televisão e de rádio, a RTP oferece às escolas a possibilidade de consultarem séries documentais, entrevistas únicas e pequenas rubricas específicas sobre Cultura e História das Artes.

Para melhor consultar estas matérias basta escolher o tema na lista abaixo. Alternativamente pode sempre utilizar a caixa de pesquisa livre no topo da nossa página, à direita.


O surgimento do Zé Povinho


O jornal satírico “Lanterna Mágica” publicou, a 12 de junho de 1875,  uma caricatura alusiva ao Santo António, que se celebra no dia seguinte, 13 de junho. No desenho está representado um peditório para o santo, com um altar e um rapaz que pede dinheiro a quem passa: só que o rapaz tem a cara de António Serpa Pimentel, ministro das Finanças, e o Santo António é, na verdade, Fontes Pereira de Melo, o chefe do governo, que tem ao colo um menino com a cara do rei D. Luís.
Sentado ao lado, com ar severo e de chicote, está o comandante da guarda municipal. Quanto à pessoa que passa e é abordada para dar dinheiro, é um personagem de barba, que coça a cabeça com ar desconcertado enquanto paga. Escrito nas suas calças pode ler-se “Seu Zé Povinho”. Nascia assim uma figura emblemática do imaginário nacional, uma espécie de símbolo do povo português, com uma das suas marcas características: o pagamento de impostos, o peso fiscal, a espoliação por parte dos políticos. Foi a criação mais importante de Rafael Bordalo Pinheiro, cujo nome ficou para sempre associado a esta figura.

Quem era Rafael Bordalo Pinheiro?
Bordalo foi o mais célebre artista plástico, caricaturista e ilustrador português do século XIX. Ao contrário do Zé Povinho, Bordalo não tinha nada de rústico: provinha de uma família da burguesia lisboeta e nasceu e morreu na capital. Bordalo Pinheiro estudou no Conservatório, na escola de Belas Artes, em Letras e na escola de Arte Dramática, mas foi a sua atividade como jornalista e caricaturista que o tornou célebre. Produziu uma grande quantidade de desenhos, litografias e ilustrações, que foram publicadas em diversas revistas e jornais, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Fundou e dirigiu publicações satíricas, nomeadamente o periódico O António Maria, que consagrou definitivamente a figura do Zé Povinho. “António Maria” refere-se aos dois primeiros nomes da figura política mais importante daquela época, António Maria Fontes Pereira de Melo. Paralelamente, Rafael Bordalo Pinheiro desenvolveu uma importante atividade como ceramista na fábrica de faianças das Caldas da Rainha, onde criou um estilo próprio que subsiste ainda hoje. Uma parte substancial da sua obra encontra-se reunida no museu com o seu nome, em Lisboa.

Qual o motivo do sucesso da figura do Zé Povinho?
O Zé Povinho teve sucesso imediato e rapidamente ultrapassou a figura de Bordalo. Foi imediatamente adotado por outros caricaturistas e ilustradores, que reconheceram o seu potencial criativo: é a figura do homem comum eternamente explorado e enganado pelos políticos. Mais tarde, e já depois da morte de Bordalo Pinheiro, o Zé Povinho foi utilizado como símbolo republicano, numa altura em que a República emergia como uma esperança para a saída da profunda crise em que o país estava mergulhado.

Mas após a proclamação da República, em 1910, o Zé foi novamente usado como expressão do desalento e da desilusão, quando a opinião pública se apercebeu que o novo regime tinha os mesmos defeitos do anterior, nomeadamente no que dizia respeito à instabilidade política, ao aumento do custo de vida e da carga fiscal. A censura que vigorou durante o Estado Novo limitou drasticamente a tradição satírica e crítica da imprensa portuguesa, mas não evitou que o Zé Povinho se tornasse um ícone importante no imaginário popular.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Biografia - El Greco, Domenikos Theotokópoulos

Pintor maneirista de origem grega que viveu em Espanha em finais do século 16 e princípios do século 17. Nasceu em Dito, Cândia [Eraklion], na ilha de Creta, em 1541;  morreu em Toledo, Espanha, a 7 de Abril de 1614.

Tendo nascido em Creta, então possessão da República de Veneza, e por isso cidadão veneziano, começou a sua instrução em Cândia, com João Gripiotis. Mais tarde, entre 1560 e 1566  instalou-se  em Veneza, tendo  provavelmente trabalhado no atelier de Ticiano, cuja técnica o influenciou. Em 1570 estava em Roma, vivendo no palácio do cardeal Alessandro Farnese. Foi admitido na Academia de São Lucas em 1572 com o nome de «Dominico Greco»,  como pintor em papel, tendo-se manifestado abertamente contra o Juízo Final de Miguel Ângelo, pintado na Capela Sistina. Tal posição valeu-lhe a antipatia do meio artístico de Roma, o que o terá levado a partir para Espanha, com a provável intenção de trabalhar nas obras do Escorial, mas passando primeiro por Veneza, segundo parece. Depois de uma curta estadia em Madrid a partir da Primavera de 1577, instalou-se em Toledo em 1578 onde viveu até à data da sua morte, com D. Jerónima de Las Cuevas, com quem nunca casou, mas de quem teve um filho que legitimou,  parecendo que não poderia casar, já que a mencionou em vários documentos, assim como no seu testamento.

A vida de El Greco foi passada em Toledo, vivendo das encomendas das igrejas e mosteiros da cidade e da província, e dando-se com humanistas conhecidos, estudiosos e clérigos. É sabido que o pintor era dono de uma cultura humanista muito vasta, tendo a sua biblioteca livros de autores Gregos e Latinos, assim como obras em Italiano e espanhol - as Vidas de Plutarco, poesia de Petrarca, Orlando Furioso de Ariosto, tratados de arquitectura de vários autores, incluindo Palladio,  e actas do Concílio de Trento.

A primeira encomenda que o pintor teve, logo que chegou a Toledo, foi um conjunto de pinturas para o altar-mor e dois altares laterais na igreja conventual de São Domingos o Velho existente na cidade. O próprio desenho dos altares foi feito por El Greco, no estilo do arquitecto veneziano Palladio. O quadro realizado para o altar-mor, a «Assunção da Virgem» marca  um novo período na vida do artista. A influência de Miguel Ângelo faz-se sentir no desenho das figuras humanas,  sendo a técnica - sobretudo o uso liberal da cor branca para salientar as figuras e os pormenores - claramente veneziana; mas a intensidade das cores e a manipulação dos contrastes é de El Greco.

A tendência do pintor para alongar a figura humana, aprendida em Miguel Ângelo, mas também em Tintoretto e Paolo Veronese, e em pintores maneiristas vai caracterizar toda a sua pintura.

A relação de El Greco com a corte de Filipe II foi muito breve e mal sucedida. Pintou dois quadros, a "Alegoria da Santa Liga" ("O Sonho de Filipe II" de 1578-79) e o "Martírio de S.Maurício" (1580-82). A última obra foi rejeitada pelo próprio rei, que encomendou outra para substituir a do pintor de Toledo.

Aquela que é considerada a sua obra prima é pintada após este fracasso, no relacionamento com a corte espanhola. "O Enterro do Conde de Orgaz" (1586-88, Igreja de São Tomé, Toledo) apresenta uma visão sobrenatural da Glória (o Céu) por cima de um impressionante conjunto de retratos que demonstram todos os aspectos da arte deste génio criador. El Greco distingue claramente o Céu e a Terra. Na parte de cima, o Céu é representado por nuvens de forma quase abstracta, e os santos são altos e com expressão fantasmagórica. Na parte de baixo, a escala e a proporção das figuras é normal. De acordo com a lenda, Santo Agostinho e Santo Estêvão aparecem miraculosamente para colocar o conde de Orgaz no túmulo, como prémio pela sua generosidade para com a Igreja. O jovem representado ao lado do corpo do conde é o filho do pintor, Jorge Manuel. Os homens, vestidos contemporaneamente, que estão presentes no funeral são membros proeminentes da sociedade toledana do século XVI. A técnica de apresentação da composição é integralmente maneirista, já que toda a acção se desenrola no primeiro plano.

De 1590 até à sua morte o número de obras pintadas é extraordinário. Sendo que algumas das suas encomendas mais importantes se realizam nos últimos 15 anos da sua vida. O que caracteriza este  período da vida de El Greco é o alongamento extremo dos corpos das figuras pintadas, como na "Adoração dos Pastores" (Museu do Prado, Madrid) pintado entre 1612 e 1614, na "Visão de São João" ou na "Imaculada Conceição" pintada de 1607 a 1613 (Museu de Santa Cruz, Toledo).

Nas três paisagens que pintou, o pintor demonstrou a sua tendência mais característica de dramatizar mais do que descrever, e no seu único quadro que tem a mitologia por assunto, o "Laokoon" de 1610-14, mostrou ter pouco respeito pela tradição clássica. 

Os seus retratos, se são menos numerosos do que as suas obras de carácter religioso, não deixam de ter a mesma qualidade. Tendo pintado personagens da Igreja, como "Frei Felix Hortensio Paravicino (1609) e o "Cardeal Don Fernando Niño de Guevara" (1600), assim como personalidades da sociedade de Toledo, como "Jeronimo de Cevallos" (1605-1610), ou o célebre "O Cavaleiro com a mão no peito" (Museu do Prado) de 1577 a 1584, e outros, todos são característicos dos meios simples com que o artista  criou caracterizações memoráveis, que o colocam numa posição proeminente enquanto retratista, ao lado de Ticiano e de Rembrandt.

El Greco não deixou escola. Após a sua morte, alguns artistas, incluindo o seu filho, realizaram cópias dos seus trabalhos, mas de muito pouca qualidade. A sua arte era demasiado pessoal para poder sobreviver, até porque o novo estilo Barroco começava a impor-se com Caravaggio e Carracci.


Fontes:
Enciclopédia Britânica: "El Greco"

Biografia retirada daqui

Biografia - Bourdon

Nasceu em Montpellier em 1616;
morreu em Paris em 1671.

Enviado aos sete anos para Paris como aprendiz de pintor, abandonou a aprendizagem e viajou para  Bordéus e depois para Toulouse. Não tendo meios de subsistência teve de se alistar no exército. Um oficial tendo reconhecido o seu talento, conseguiu a saída de Bourdon do exército e financiou uma viagem a Itália. Bourdon trabalhou com Claude Lorrain e Nicolas Poussin.

Trabalhou em Roma de 1634 a 1637, tendo desenvolvido um talento para imitar o trabalho de outros pintores, provavelmente com intenção de iludir, já que parece que as suas obras eram vendidas como originais de outros pintores. Continuou nesta veia quando regressou a França, nunca tendo por isso criado um estilo próprio. Pintou para a catedral de Notre Dame, o palacete Grammonte para a igreja de Santo André de Chartres. Em 1648 foi um dos fundadores da Academia Real de França, tendo sido um dos seus professores.

De 1652 a 1654 foi pintor na corte da rainha Cristina da Suécia, tendo pintado dois retratos da soberana. Regressado a França, trabalhou principalmente como retratista, desenvolvendo um estilo mais pessoal, utilizando tons macios e a recriação de tecidos caindo em cascata que criam um efeito langoroso e romântico. 

Notícia retirada daqui

Biografia - Mary Cassat


Pintora norte-americana nascida em Pittsburgo, depois radicada em França. Percorreu a Europa e estudou em Espanha, Itália e Holanda. Integrou-se em Paris no grupo de pintores impressionistas. Foi amiga da pintora Berthe Morisot. Ambas da alta burguesia, pouco dadas a convivência de cabarés, imprimiram nas suas telas o lado mais feminino e intimista da vida das suas contemporâneas. Mary Cassat ficou também famosa por ter pintado a primeira mulher condutora de carro de cavalos. Deixou uma obra extensa e é um dos nomes grandes do Impressionismo.

Notícia retirada daqui

Biografia - Minerva Chapman


Pintora norte-americana, nascida perto de Nova Iorque. Filha de um homem de negócios que partiu com a família para Chicago. Minerva estudou em diversas escolas de artes nos EUA e da Europa. Em 1886 estabeleceu-se em Paris. Foi a primeira mulher convidada, oficialmente, para expor no Salon de Paris, que abriu tarde à participação das pintoras. Minerva pertenceu à escola impressionista. Depois de viver trinta anos em Paris passou a residir em Palo Alto, na Califórnia (EUA). Quando faleceu, a família tinha em seu poder mais de 700 telas. Como Minerva raramente assinava os seus quadros foi apenas reconhecida depois de 1975. Foi grande especialista em miniaturas e aguarelas. As suas paisagens são muito belas. Está bem representada no National Museum of Women in the Arts, que apenas exibe trabalhos artísticos de mulheres de todo o mundo.

Notícia retirada daqui

Biografia - Paul Baudry


nasceu em La-Roche-sur-Yonne, na Vendeia, França, em 1828; 
morreu em Paris em 1886.

Tendo ido para Paris em 1844, com uma bolsa de estudo paga pelo seu município, estudou com Drolling, um artista sólido mas de segundo nível, tendo entrado para a escola de Belas Artes de Paris em 1845. Ganhou o Prix de Rome em 1850 pelo seu retrato de Zenobia encontrada nas margens do Araxes, após cinco tentativas infrutíferas. 

O seu talento era muito académico, cheio de elegância e graciosidade, mas um tanto falho de originalidade. No decurso da sua estadia em Itália, Baudry foi muito influenciado pelo maneirismo de Coreggio, mas também de Ticiano, como é evidente nos dois trabalhos que exibiu no Salon de 1857, que foram comprados para o Palácio do Luxemburgo, sede do Senado francês: O martírio de uma virgem Vestal e a Criança. Os seus Leda, São João Baptista, e o Retrato de Beul, exibidos ao mesmo tempo, receberam o primeiro prémio daquele ano. 

Durante este período inicial Baudry escolheu normalmente assuntos mitológicos ou na moda, um dos mais importantes sendo A Pérola e a Onda. Tentou uma única vez realizar um retrato histórico, Charlotte Corday após o assassinato de Marat, em 1861, regressando por preferência pessoal aos assuntos anteriores e aos retratos de homens ilustres do seu tempo, como Guizot, Charles Gamier, Edmond About. 

As obras que coroaram a reputação de Baudry foram as suas decorações murais, que demonstram muita imaginação e uma elevada capacidade artística de utilização da cor, como pode ser constatado nos frescos na Cour de Cassation de Paris, no Palácio de Chantilly, e nalgumas palacetes privados  como o Hotel Fould e o Hotel Paivabut, mas sobretudo nas decorações do foyer da Ópera de Paris. Estes murais, ao todo mais de trinta pinturas, entre elas composições figurativas sobre a Dança e a Música, ocuparam o pintor durante dez anos. 

Foi eleito membro do Institut de France, tendo sucedido a Jean Victor Schnetz. Dois dos seus colegas, Paul Dubois e Antoine Mercier, cooperando com seu irmão, o arquitecto Baudry, erigiram-lhe um monumento funerário em Paris, em 1890, no cemitério do Père Lachaise.

Notícia retirada daqui

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Biografia - Maseli


Pintora e cenógrafa italiana, nasceu numa família de grande cultura. Era aparentada com o escritor Pirandello. O pai era filósofo, a mãe era uma apaixonada pela cultura francesa e um irmão foi cineasta. Titina seguiu Belas Artes. Expôs pela primeira vez em 1948, em Itália, depois pela Europa e EUA. Mulher livre, com amizades na esquerda era respeitadíssima em Itália. Dias antes de falecer o presidente da Câmara de Roma preparava-lhe uma festa no palácio do Quirinal para festejar os seus 80 anos. Pintora figurativa usava cores fortes e geométricas. Os seus contemporâneos como Alberto Moravia e o cineasta Michelangelo Antonioni admiravam-na e eram seus amigos. Passou a residir em Paris desde 1970. Fez dezenas de cenários para a Ópera de Paris. Foi uma reputada cenógrafa tendo assinado nomeadamente a cenografia de peças de Manuel de Falla, de Stravinsky. Trabalhou até ao fim e morreu na sua casa em Roma.

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Biografia - Pablo Picasso

Biografia - Leonor Fini


Pintora surrealista, nascida na Argentina, filha de mãe italiana. A passagem por este país foi rápida, porque, apenas com um ano de idade a mãe, depois de se divorciar, levou-a para Trieste (Itália). Leonor (ou Eleonora) Fini frequentou os meios boémios da Europa. Foi uma autodidacta. Ficou famoso o guarda-roupa que desenhou para a bailarina Margot Fonteyn, no seu papel de Agata (a Gata) com coreografia de Rolant Petit, apresentado em Paris, sem esquecer que foi também Leonor quem desenhou o guarda-roupa para os filmes Romeu e Julieta (1954) e Satyricon(1969) do grande realizador italiano F. Fellini. Leonor Fini tem uma obra extensa e diversificada. Ilustrou primorosamente livros para crianças. Entre os mais notáveis figuram desenhos para obras de Baudelaire, Jean Genet, Sade e Edgar A. Poe. As máscaras que concebeu para a Comédie Française, para a Ópera de Paris, bem como para o Scala de Milão mostram outro lado criativo desta excepcional artista. Leonor deu-se com pintores como Picasso, Dali, De Chirico, Dali, Max Ernst com quem teve uma relação amorosa. As suas obras estão em quase todos os museus do mundo e desde o ano da sua morte, 1996, que se têm realizado retrospectivas dos seus trabalhos, como as de 1997 e 1998 em Nova Iorque e Boston.

Biografia retirada daqui