segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Vídeo - Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian



A Fundação que promove e dinamiza a cultura e a ciência em Portugal e no mundo, nasceu da vontade de Calouste Gulbenkian, em 1956. Nos anos 80, o projeto cresceu com o CAM, o centro onde está reunida a maior coleção de arte portuguesa do século XX.

Vídeo - Casa-Museu Anastácio Gonçalves



Neste museu há pintura portuguesa, raras porcelanas da China, mobiliário de outros séculos. São duas mil obras colecionadas pelo Dr. Anastácio Gonçalves que habitam a casa mandada construir pelo pintor Malhoa em 1904. O edifício recebeu o Prémio Valmor.

Vídeo - Museu do Chiado



Tem 100 anos e começou por se chamar Museu Nacional de Arte Contemporânea.Os pintores Carlos Reis, Columbano e Adriano de Sousa Lopes foram os primeiros diretores deste espaço na zona histórica de Lisboa, onde está uma mostra selecionada de arte portuguesa

Vídeo - Museu Nacional de Arte Antiga



Desde 1884 que o Museu está instalado no antigo Palácio Alvor, em Lisboa. O espaço aloja uma das mais importantes coleções portuguesas. Pintura, escultura, desenho e artes decorativas constituem um acervo de milhares de peças a partir do século XII.

Vídeo - Um retrato de Modigliani


Pintou, desenhou e esculpiu até ser o inconfundível Amedeo Modigliani. O artista das figuras estilizadas, alongadas, de olhos rasgados, dedicou-se por inteiro à arte. Algumas obras pertencem à coleção do amigo Paul Alexandre, mostradas em Lisboa em 1995.
Começa tudo no olhar de Modigliani. Fascinado pela forma humana, o artista molda com ternura os seus modelos, descobre-lhes  a geometria do corpo, perscruta estados de alma e acentua tudo com linhas elegantes, contornos arredondados e uma sensível paleta de cores bem contrastadas.

“Aquilo que procuro não é o real nem o irreal, e sim o inconsciente, o mistério do que há de instintivo na raça humana.”, escreve o pintor que conheceu o destino dentro de um sonho.

Nos poucos dados biográficos disponíveis conta-se que o rapazinho, nascido em Itália em 1884, oriundo de uma família da burguesia judaica, adoeceu um dia com febre tifóide e, durante um sonho delirante, teve a revelação de que seria artista. Amedeo começa a cumprir o desígnio aos 14 anos, inicia os estudos na Academia de Arte de Livorno, a terra natal. Frequenta aulas de modelo-vivo, estuda a arte do Renascimento e em 1906 vai para Paris, o coração da vanguarda europeia. Do seu pequeno estúdio em Montmartre absorve Cézanne, Renoir, Matisse, Tolouse-Lautrec, Picasso e Edvard Munch, deixa-se influenciar pelo expressionismo e pelo simbolismo mas procura sempre o seu estilo pessoal.

Modigliani retrata amigos, conhecidos, anónimos. Pinta e desenha nus de mulheres em poses sensuais e misteriosas, com esses quadros e desenhos faz a sua única exposição individual aos 33 anos, rapidamente censurada e proibida. A partir de 1909, inspirado pelas talhas de madeira africanas, dedica-se à escultura, retira cabeças e corpos humanos da pedra, peças que expõe no estúdio de Amadeo de Souza-Cardoso, pintor português com quem desenvolvera uma amizade próxima.

Na sua breve vida, Modigliani tem pouco êxito, os quadros não pagam as contas da casa e dos bares que frequenta. Amores, álcool e drogas, são excessos mais tarde ampliados no cinema, no teatro e na literatura que farão de “Modi” uma lenda, uma personagem trágica.

Nos primeiros anos em Paris é apoiado por Paul Alexandre, que reconhece a genialidade do pintor. Compra-lhe desenhos, aguarelas e quadros, arranja-lhe novas encomendas. O jovem médico é o primeiro patrono do artista italiano, morto prematuramente aos 36 anos, com tuberculose.

Dessa amizade fica uma coleção única, composta por centenas de obras, já mostrada no Palácio Grassi em Veneza, na Royal Academy em Londres, no museu Ludwig em Colónia e na Cultergest em Lisboa. O filho do colecionador, o historiador Noel Alexandre, faz uma visita guiada a esta exposição.

Vídeo - A arte urbana de Keith Haring


Levou arte para as ruas de Nova Iorque e isso fez dele uma lenda. Os traços gráficos de Keith Haring espalharam-se pela cidade em graffitis e painéis publicitários do metro. Símbolos, desenhos, cores... tudo é intenso na curta vida deste artista americano.
Keith Haring tinha esta ideia subversiva de que a arte devia ser para todos. Não lhe fazia sentido continuar a ser um artista de estúdio para apresentar os trabalhos no circuito fechado das galerias. Queria o grande público, por isso desafiou-se a usar o espaço da rua, onde todos passam e podem ver. Desenvolveu uma linguagem pictórica que explorou no graffiti e que, muito em breve, seria entendida e reconhecida.

Nestes anos oitenta, Keith, o rapaz da Pensivâlnia contagiado pela agitação cultural de Nova Iorque, produzia cerca de 40 desenhos por dia. A primeira assinatura de rua foi um animal, parecido com um cão, depois veio o bebé com raios à volta. Imagens que ficaram virais, copiadas exaustivamente até se transformarem em eternos ícones populares.

Desenhos irónicos ou infantis,  formas gráficas a preto e branco ou pintadas com cores fortes, figuras saídas da imaginação de Keith Haring que serviam também para o artista abordar temas sérios como a repressão étnica, a homossexualidade e SIDA. Morreu em 1990, aos 32 anos infetado com o vírus do HIV.

É todo este universo fascinante que podemos revisitar numa reportagem realizada em 1995, quando em Lisboa se fez uma exposição com várias obras do artista norte-americano. A peça, conduzida por Alexandre Melo, mostra ainda “vistas de Nova Iorque” filmadas em super 8 por Paulo Abreu.


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Vídeo - A aventura artística de Júlio Pomar


Vendeu o primeiro quadro a Almada Negreiros por 100 mil réis. Tinha 20 anos e já conquistara o estatuto de artista. Sete décadas depois, Júlio Pomar continuava com o vício da pintura. Mas a sua produção era mais extensa: desenhador, escultor e escritor também. Porque nele vivia o apelo de criar.
A sua pintura está em movimento constante, como a paisagem que via da janela da casa que habitava às Janelas Verdes, em Lisboa: burros, cavalos, a faina no porto, o Tejo ao fundo; paisagem em transformação. Júlio Pomar não se fixa em correntes, antes viaja por elas, como um menino à procura de um tesouro. Tinha sete anos quando o puseram a desenhar gesso. Ficaram-lhe os sentidos despertos na pulsão biológica de querer ser pintor.

A obsessão por desenhar levou-o à Escola António Arroio. Depois foram dois anos na Escola de Belas-Artes, em Lisboa e no Porto; da primeira saiu porque “não se aprendia grande coisa”, da segunda, foi expulso por participar nas lutas estudantis.

Por essa altura é já artista militante, com assumidas atividades políticas que visavam derrubar o fascismo. Foi um dos fundadores do MUD, Movimento de Unidade Democrática. Vítima de censura, é preso pela Pide antes de completar a primeira encomenda, o mural do Cinema Batalha. Em Caxias partilha cela com o líder do partido socialista português. Aí mesmo faz o primeiro retrato de Mário Soares. O segundo, quando Soares já é Presidente da República, causará polémica por romper com a pose de estadista.

Em Paris, no centro do mundo

O jovem tímido que vendera o primeiro quadro a Almada Negreiros por 100 mil réis – no tempo em que um café custava 8 tostões ! –  iria mudar-se para Paris, em 1963 para “alargar horizontes, conviver com outros artistas e outros movimentos”. Foi ver a “matéria ao vivo” que em Portugal só conhecia dos livros e das reproduções.

A capital francesa fica a sua segunda cidade: passará a dividir o tempo entre Paris e Lisboa, a terra onde nasceu em 1926 e e à qual só volta após  o 25 de Abril.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Pomar, que confessa ter pouca imaginação, percorre várias estéticas da pintura: no neorealismo, deixa obras significativas como  “Almoço do Trolha” e “O  Gadanheiro”. Recebe influências  do expressionismo e do abstracionismo. Faz colagens, desenhos, gravuras, assemblage (colagens com objetos), esculturas, cerâmicas, tapeçarias. Admira Cézanne, Matisse, Picasso, Goya, Velásquez e os muralistas mexicanos. A sua obra está marcada por ciclos e inspirações de temáticas específicas: Maio de 68, D. Quixote, tauromaquia, corridas de cavalos, os índios Xingu do Brasil, a série dos tigres e a dos fadistas.

Júlio Pomar (1926-2018), um dos artistas mais conceituados do século XX português, distinguido com numeroso prémios, com obra devidamente apreciada em incontáveis exposições, teve sempre a necessidade de “recorrer às palavras” e de estar perto delas. Não só acompanhou a literatura com ilustrações, como fez obra poética e  letras de fados, muitos já musicados. A necessidade de estar sempre a criar.